QUE PAIS É ESTE?

"Só a ignorância aceita  a indiferença
e tolera o reinado das mediocridades." 

– José de ALENCAR –

 

 

 

 

 

Desejo-vos um excelente feriado!

"Que país é este" 

"Fragmentos"
"Sobre a atual vergonha de ser brasileiro"
do poeta 
Affonso Romano de Sant’Anna,

para nossa reflexão, neste 1º de maio,
dia do trabalho ( para quem tem
emprego ),
pq a grande maioria está desempregada…
 

Fomos flagelados na revolução.

Hoje, somos reféns da corrupção!

Elen de Moraes
Rio, 30 de abril de 2006

 

Afinal,

Que país é este? 

 

 

 
Fragmento 1
 
 
Uma coisa é um país
outra um ajuntamento.

Uma coisa é um país,
outra um regimento.

Uma coisa é um país,
outra o confinamento.

Mas já soube datas, guerras, estátuas
usei caderno “Avante”
    – e desfilei de tênis para o ditador.

Vinha de um “berço esplêndido” para um
    “futuro radioso”
e éramos maiores em tudo
    – discursando rios e pretensão.

Uma coisa é um país,
outra um fingimento.

Uma coisa é um país,
outra um monumento.

Uma coisa é um país,
outra o aviltamento.

Deveria derribar aflitos mapas sobre a praça
em busca de especiosa raiz? ou deveria
parar de ler jornais
e ler anais
como anal
animal
hiena patética
na merda nacional?
Ou deveria, enfim, jejuar na Torre do Tombo
comendo o que as traças descomem procurando
o Quinto Império, o primeiro portulano, a viciosa
visão do paraíso?
que no impeliu a errar aqui?

Subo, de joelhos, as escadas dos arquivos
nacionais, como qualquer santo barroco a rebuscar
no mofo dos papiros, no bolor
das pias batismais, no bodum das vestes reais
a ver o que se salvou com o tempo
e ao mesmo tempo 

– nos trai

Fragmento 2

Há 500 anos caçamos índios e operários,
Há 500 anos queimamos árvores e hereges,
Há 500 anos estupramos livros e mulheres,
Há 500 anos sugamos negras e aluguéis.

Há 500 anos dizemos:
    que o futuro a Deus pertence,
    que Deus nasceu na Bahia,
    que São Jorge é guerreiro,
    que do amanhã ninguém sabe,
    que conosco ninguém pode,
    que quem não pode sacode.

Há 500 anos somos pretos de alma branca,
    não somos nada violentos,
    quem espera sempre alcança
    e quem não chora não mama
    ou quem tem padrinho vivo
    não morre nunca pagão.

Há 500 anos propalamos:
    este é o país do futuro,
    antes tarde do que nunca,
    mais vale quem Deus ajuda
    e a Europa ainda se curva.

Há 500 anos
    somos raposas verdes
    colhendo uvas com os olhos,

    semeamos promessa e vento
    com tempestades na boca,

    sonhamos a paz na Suécia
    com suiças militares,

    vendemos siris na estrada
    e papagaios em Haia,

    senzalamos casas-grandes
    e sobradamos mocambos,

    bebemos cachaça e brahma
    joaquim silvério e derrama,

    a polícia nos dispersa
    e o futebol nos conclama,

    cantamos salve-rainhas
    e salve-se quem puder,

    pois Jesus Cristo nos mata
    num carnaval de mulatas

Este é um país de síndicos em geral,
Este é um país de cínicos em geral,
Este é um país de civis e generais.

Este é o país do descontínuo
onde nada congemina,
e somos índios perdidos
na eletrônica oficina.

Nada nada congemina:
a mão leve do político
com nossa dura rotina,

o salário que nos come
e nossa sede canina,

a esperança que emparedam
e a nossa fé em ruína,

nada nada congemina:
a placidez desses santos
e nossa dor peregrina,

e nesse mundo às avessas
– a cor da noite é obsclara
e a claridez vespertina.

 Fragmento 3

Sei que há outras pátrias. Mas
mato o touro nesta Espanha,
planto o lodo neste Nilo,
caço o almoço nesta Zâmbia,
me batizo neste Ganges,
vivo eterno em meu Nepal.

Esta é a rua em que brinquei,
a bola de meia que chutei,
a cabra-cega que encontrei,
o passa-anel que repassei,
a carniça que pulei.

Este é o país que pude
que me deram
e ao que me dei,
e é possível que por ele, imerecido,
             – ainda morrerei.

 Fragmento 4

Minha geração se fez de terços e rosários:
                   – um terço se exilou
                   – um terço se fuzilou
                   – um terço desesperou

e nessa missa enganosa
– houve sangue e desamor. Por isto,
canto-o-chão mais áspero e cato-me
ao nível da emoção.

Caí de quatro
animal
sem compaixão.

Uma coisa é um país,
outra uma cicatriz.

Uma coisa é um país,
outra é abatida cerviz.

Uma coisa é um país,
outra esses duros perfis.

Deveria eu catar os que sobraram
os que se arrependeram,
os que sobreviveram em suas tocas
e num seminário de erradios ratos
suplicar:
  – expliquem-me a mim
    e ao meu país?

Vivo no século vinte, sigo para o vinte e um
ainda preso ao dezenove
como um tonto guarani
e aldeado vacum. Sei que daqui a pouco
    não haverá mais país.

País:
    loucura de quantos generais a cavalo
    escalpelando índios nos murais,
    queimando caravelas e livros
             – nas fogueiras e cais,
    homens gordos melosos sorrisos comensais
    politicando subúrbios e arando votos
    e benesses nos palanques oficiais.

Leio, releio os exegetas.
Quanto mais leio, descreio. Insisto?
Deve ser um mal do século
– se não for um mal de vista.

Já pensei: – é erro meu. Não nasci no
tempo certo.
Em vez de um poeta crente
sou um profeta ateu.
Em vez da epopéia nobre,
os de meu tempo me legam
como tema
– a farsa
e o amargo riso plebeu.

 Fragmento 5

Mas sigo o meu trilho. Falo o que sinto
e sinto muito o que falo
    – pois morro sempre que calo.
Minha geração se fez de lições mal-aprendidas
    – e classes despreparadas
Olhávamos ávidos o calendário. Éramos jovens.
Tínhamos a “história” ao nosso lado. Muitos
maduravam um rubro outubro
outros iam ardendo um torpe agosto.
Mas nem sempre ao verde abril
se segue a flor de maio.
Às vezes se segue o fosso
– e o roer do magro osso.
E o que era revolução outrora
agora pasas à convulsão inglória.
E enquanto ardíamos a derrota como escória
e os vencedores nos palácios espocavam seus
champanhas sobre a aurora
o reprovado aluno aprendia
com quantos paus se faz a derrisória estória.
Convertidos em alvos e presa da real calçada
abriu-se embandeirado
um festival de caça aos pombos
– enquanto raiava sangüínea e fresca a
madrugada.

Os mais afoitos e desesperados
em vez de regressarem como eu
sobre os covardes passos,
e em vez de abrirem suas tendas para a fome dos
desertos,
seguiram no horizonte uma miragem
e logo da luta
passaram ao luto.

Vi-os lubrificando suas armas
e os vi tombados pelas ruas e grutas.
Vi-os arrebatando louros e mulheres
e serem sepultados às ocultas.

Vi-os pisando o palco da tropical tragédia
e por mais que os advertisse do inevitável final
não pude lhes poupar o sangue e o ritual.

Hoje
    os que sobraram vivem em escuras
    e européias alamedas, em subterrâneos
    de saudade, aspurando a um chão-de-
    estrelas,
    plangendo um violão com seu violado
    desejo
    a colher flores em suecos cemitérios.

Talvez
    todo o país seja apenas um ajuntamento
    e o conseqüente aviltamento
    – e uma insolvente cicatriz.

    Mas este é o que me deram,
    e este é o que eu lamento,
    e é neste que espero
    – livrar-me do meu tormento.

Meu problema, parece, é mesmo de princípio:
– do prazer e da realidade
– que eu pensava
com o tempo resolver
– mas só agrava com a idade.

    Há quem se ajuste
    engolindo seu fel com mel.
    Eu escrevo o desajuste
    vomitando no papel.

 Fragmento 6

Mas este é um povo bom
me pedem que repita
como um monge cenobita
enquanto me dão porrada
e me vigiam a escrita.

Sim. Este é um povo bom. Mas isto também
diziam os faraós
enquanto amassavam o barro da carne escrava.
Isso digo toda noite
enquanto me assaltam a casa,
isso digo
aos montes em desalento
enquanto recolho meu sermão ao vento.

Povo. Como cicatrizar nas faces sua imagem
perversa e una?
Desconfio muito do povo. O povo, com razão,
– desconfia muito de mim.

Estivemos juntos na praça, na trapaça e na desgraça,
mas ele não me entende
– nem eu posso convertê-lo.
A menos que suba estádios, antenas, montanhas
e com três mentiras eternas
o seduza para além da ordem moral.

Quando cruzamos pelas ruas
não vejo nenhum carinho ou especial predileção
nos seus olhos.
Há antes incômoda suspeita. Agarro documentos,
embrulhos, família
a prevenir mal-entendidos sangrentos.

Daí vejo as manchetes:

– o poeta que matou o povo
– o povo que só/çobrou ao poeta
– (ou o poeta apesar do povo?)

– Eles não vão te perdoar
– me adverte o exegeta.
Mas como um país não é a soma de rios, leis,
nomes de ruas, questionários e geladeiras,
e a cidade do interior não é apenas gás neon,
quermesse e fonte luminosa,
uma mulher também não é só capa de revista,
bundas e peitos fingindo que é coisa nossa.

Povo
       também são os falsários
       e não apenas os operários,

povo
       também são os sifilíticos
       não só atletas e políticos,

povo
       são as bichas, putas e artistas
       e não só os escoteiros
       e heróis de falsas lutas,
       são as costureiras e dondocas
       e os carcereiros
       e os que estão nos eitos e docas.

Assim como uma religião não se faz só de missas
na matriz,
mas de mártires e esmolas, muito sangue e cicatriz,
a escravidão
para resgatar os ferros de seus ombros requer
poetas negros que refaçam seus palmares e
quilombos.

Um país não pode ser só a soma
de censuras redondas e quilômetros
quadrados de aventura, e o povo
não é nada novo 

– é um ovo
que ora gera e degenera
que pode ser coisa viva
– ou ave torta

depende de quem o põe
– ou quem o gala.

 Fragmento 7

Percebo
que não sou um poeta brasileiro. Sequer
um poeta mineiro. Não há fazendas, morros,
casas velhas, barroquismos nos meus versos.

Embora meu pai viesse de Ouro Preto com
bandas de música polícia militar casos de
assombração e uma calma milenar,
embora minha mãe fosse imigrando
hortaliças protestantes tecendo filhos
nas fábricas e amassando a gé e o pão,
olhos Minas com um amor
distante, como se eu, e não minha mulher
– fosse um poeta etíope.

Fácil não era apenas ao tempo das arcádias
entre cupidos e sanfoninhas,
fácil também era ao tempo dos partidos:
– o poeta sabia “história”
vivia em sua “célula”,
o povo era seu hobby e profissão,
o povo era seu cristo e salvação.

O povo, no entando, é o cão
e o patrão
– o lobo. Ambos são povo.
E o povo sendo ambíguo
é o seu próprio cão e lobo.

Uma coisa é o povo, outra a fome.
Se chamais povo à malta de famintos,
se chamais povo à marcha regular das armas,
se chamais povo aos urros e silvos no esporte
popular

então mais amo uma manada de búfalos em
Marajó e diferença já não há
entre as formigas que devastam minha horta
e as hordas de gafanhoto de 1948
– que em carnaval de fome
o próprio povo celebrou.

Povo
    não pode ser sempre o coletivo de fome.
Povo
    não pode ser um séquito sem nome.
Povo
    não pode ser o diminutivo de homem.
O povo, aliás,
    deve estar cansado desse nome,
    embora seu instinto o leve à agressão
    e embora aumentativo de fome
    possa ser revolução

 

 

 

 

 

 

 

 

 


AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA

Que vergonha, meu Deus! ser brasileiro
e estar crucificado num cruzeiro
erguido num monte de corrupção.
Antes nos matavam de porrada e choque
nas celas da subversão.
Agora nos matam de vergonha e fome
exibindo estatísticas na mão.
Estão zombando de mim. Não acredito.
Debocham a viva voz e por escrito
É abrir jornal, lá vem desgosto.
Cada notícia é um vídeo-tapa no rosto.
Cada vez é mais difícil ser brasileiro.
Cada vez é mais difícil ser cavalo
desse Exu perverso
nesse desgoverno terreiro.
Nunca vi tamanho abuso.
Estou confuso, obtuso,
com a razão em parafuso:
a honestidade saiu de moda
a honra caiu de uso.
De hora em hora a coisa piora:
arruinado o passado,
comprometido o presente,
vai-se o futuro à penhora.
Valei-me Santo Cabral
nessa avessa calmaria
em forma de recessão
e na tempestade da fome
ensinai-me a navegação.
Este é o país do diz e do desdiz,
onde o dito é desmentido
no mesmo instante em que é dito.
Não há lingüista e erudito
que apure o sentido inscrito
nesse discurso invertido.
Aqui o discurso se trunca:
o sim é não. O não, talvez.
O talvez, nunca.
Eis o sinal dos tempos
este o país produtor
que tanto mais produz
tanto mais é devedor.
Um país exportador
que quando mais exporta
mais importante se torna
como país mau pagador.
E, no entanto, há quem julgue
que somos um bloco alegre
do ‘‘Comigo Ninguém Pode’’
quando somos um país de cornos mansos
cuja história vai dar bode.
Dar bode, já que nunca deu bolo,
tão prometido pros pobres
em meio a festas e alarde
onde quem partiu, repartiu
ficou com a maior parte
deixando pobre o Brasil.
Eis uma situação
totalmente pervertida
— uma nação que é rica
consegue ficar falida,
o ouro brota em nosso peito,
mas mendigamos com a mão,
uma nação encarcerada
que doa a chave ao carcereiro
para ficar na prisão.
Cada povo tem o governo que merece?
Ou cada povo
tem os ladrões a que enriquece?
Cada povo tem os ricos que o enobrecem?
Ou cada povo tem os pulhas
que o empobrecem?
O fato é que cada vez mais
mais se entristece esse povo num rosário
de contas e promessas num sobe e desce
de prantos e preces.
C’est n’est pas um pays sérieux!
já dizia o general.
O que somos afinal?
Um país-pererê? folclórico? tropical?
misturando morte e carnaval?
Um povo de degradados?
Filhos de degredados
largados no litoral?
Um povo-macunaíma
sem caráter-nacional?
Por que só nos contos de fada
os pobres fracos vencem os ricos nobres?
Por que os ricos dos países pobres
são pobres perto dos ricos
dos países ricos? Por que
os pobres ricos dos países pobres
não se aliam aos pobres dos países pobres
para enfrentar os ricos dos países ricos,
cada vez mais ricos, mesmo
quando investem nos países pobres?
Espelho, espelho meu!
há um país mais perdido que o meu?
Espelho, espelho meu!
há um governo mais omisso que o meu?
Espelho, espelho meu!
há um povo mais passivo que o meu?
E o espelho respondeu
algo que se perdeu
entre o inferno que padeço
e o desencanto do céu.

 

Diante da pesquisa que apontava Fernando Henrique
(presidente da República ),  como o brasileiro que
mais envergonhava o país,
o cronista se viu forçado a publicar um texto
de 17 anos atrás.

Texto extraido do jornal "O Globo"

 

Daí votamos no Lula…

e o poema continua atualíssimo!

 

 

 

 

Affonso Romano de Sant’Anna

"Às vezes, você perde vários poemas, porque sente uma frase, sente algo murmurado no seu espírito e não presta atenção porque está ocupado com os ruídos da vida. É necessário apurar o seu ouvido, ter a humildade de anotar a coisa mesmo quando ela não é muito boa. Pode, de repente, um texto meio nebuloso, meio esquisito, meio simplório demais, dar raiz a um poema posteriormente interessante."

Affonso Romano de Sant’Anna nasce em Belo Horizonte, no dia 27 de março de 1937, filho de Jorge Firmino de Sant’Anna, Capitão da Polícia Militar mineira, e de D. Maria Romano de Sant’Anna.

Criado em Juiz de Fora, tem uma infância de menino pobre, trabalhando desde muito cedo para pagar seus estudos. Entre um e outro biscate, aproveita para ler os livros que consegue nas bibliotecas do Serviço Social da Indústria (SESI). 

Filho de pais protestantes, é criado para ser pastor. Aos 17 anos prega  o evangelho em várias cidades de Minas Gerais, visita favelas, prisões e hospitais, convivendo com pessoas pobres e sofridas. Leva a elas sua mensagem. Essa experiência irá influir, futuramente, no estilo de seus textos e poesias, com forte conteúdo social.

Custeia seus estudos na Faculdade de Letras de Belo Horizonte, tornando-se bacharel.

Em 1956, esteve envolvido com movimentos de vanguarda e, no ano seguinte, com sua voz de barítono, passa a fazer parte do "Madrigal Renascentista", à época regido pelo maestro Isaac Karabtchevsky.

Fez parte dos movimentos que transformaram a poesia brasileira, sempre interagindo com grupos inovadores e construindo sua própria linguagem e trajetória. Data desta época a participação nos movimentos políticos e sociais que marcaram o país. Como poeta e cronista, foi considerado pela revista "Imprensa", em 1990, como um dos dez jornalistas formadores de opinião por desempenhar atividades no campo político e social que marcaram o país nos anos 60.

Coloca em seu primeiro livro, lançado em 1962, "O Desemprego da Poesia", seu inconformismo com a atuação do poeta da época que não possuía a força dos poetas do século XIX. Analisa o desencontro do poeta no seu tempo e sua frustração pessoal. O poeta era tido como um ser boêmio, romântico, fora de época.

Em 1965, muda-se para Los Angeles onde, durante dois anos, dá cursos de  Literatura Brasileira na Universidade da Califórnia. Nasce sua primeira filha, Fabiana. Lança seu primeiro livro de poesias "Canto e Palavra".

Em 1968, retorna aos Estados Unidos para, durante dois anos, participar como bolsista do International Writing Program, na cidade de Iowa, dedicado a jovens escritores de todo o mundo. 

Apresenta, na Universidade Federal de Minas Gerais, em 1969, sua tese de doutoramento "Carlos Drummond de Andrade, o Poeta "Gauche",  no Tempo e Espaço", publicada em 1972 e que lhe garantiu os quatro prêmios mais importantes no universo literário brasileiro.

Casa-se, em 1971, com Marina Colasanti, escritora e jornalista, segundo ele sua melhor crítica e também musa inspiradora.

Nasce, em 1972, sua segunda filha, Alessandra. Leciona na Pontifícia Universidade Católica – PUC e na Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ.

De 1973 a 1976, dirige o Departamento de Letras e Artes da PUC/RJ.  Para o curso de Pós-Graduação em Letras, realizado em 1976 na PUC/RJ, promove a vinda de conferencistas internacionais, entre os quais Michel Foucault, sociólogo francês. Houve grande repercussão da visita de Foucault ao país, que se encontrava em pleno regime ditatorial. Lança seu segundo livro de poesias "Poesia sobre Poesia".

Em 1976, volta aos Estados Unidos para lecionar Literatura Brasileira na Universidade do Texas.

Em 1978, torna-se professor de Literatura na Universidade de Colônia, na Alemanha. Lança "A grande fala do índio guarani".

Lança, em 1980, o livro de poesias "Que país é este?", cujo poema título é publicado com destaque pelo "Jornal do Brasil". Leciona, durante dois anos, na Universidade Aix-en-Provence, na França, como professor visitante.

Em 1984, assume no "Jornal do Brasil" a coluna anteriormente escrita por Carlos Drummond de Andrade, o que viria confirmar a opinião do conhecido crítico Wilson Martins de que o biografado seria o sucessor de Drummond. O jornal publica seus poemas na página de política, e não no suplemento literário, iniciativa pioneira e insólita, o que faz com que Sant’Anna mude seu conceito sobre o próprio emprego do poeta na sociedade. Percebe mais claramente que a função do poeta está vinculada, primeiramente, ao fato de que ele precisa ter uma linguagem eficiente, ter domínio de todas as técnicas, falar sobre assuntos que interessem às pessoas em geral, sem narcisismo nem subjetivismo, e encontrar um veículo eficiente para projetar o seu trabalho, no caso o jornal. Considera o livro ainda muito elitista, sofisticado, de acesso impossível às camadas mais pobres de nossa sociedade. Saber que seus poemas, como: "A Implosão da Mentira", "Que país é este?" (traduzido para o espanhol, inglês, francês e alemão) e "Sobre a atual vergonha de ser Brasileiro", estavam sendo lidos nas casas, nas praias, nos clubes, transformados em poster e colocados nas paredes de escritórios e sindicatos, em muito o gratifica e o ensina que os poetas têm que re-achar o seu lugar existencial e estético dentro da sociedade.

Publica pela Editora Rocco seu primeiro livro de crônicas, "A Mulher Madura", em 1986.

Em março do ano seguinte participou do Congresso "Les Belles Etrangères", onde foram reunidos dezenove escritores brasileiros em Paris e no mesmo ano publica com sua esposa a antologia "O Imaginário a Dois".

Em 1989 participou do "IV Encontro de Poetas do Mundo Latino", realizado no México.

Em 1990, nomeado Presidente da Fundação Biblioteca Nacional (a oitava maior biblioteca do mundo, com mais de oito milhões de volumes), cargo que ocupa até 1966, onde defronta-se, na prática, com sua própria frase a respeito do país: "Nós estamos muito à frente, mas estamos ainda muito atrás de nós mesmos". Informatiza a Biblioteca, cria o Sistema Nacional de Bibliotecas, reunindo 3000 instituições e o PROLER (Programa de Promoção da Leitura), que contou com mais de 30000 voluntários em 300 municípios brasileiros. Lança a revista "Poesia Sempre", de circulação internacional, e apresenta edições especiais sobre a América Latina, Itália, Portugal, Alemanha, França e Espanha.

Preside o Conselho do Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e no Caribe (CERLALC), no período 1993/1995), sendo também o Secretário Geral da Associação das Bibliotecas Nacionais  Ibero-Americanas (1995/1996), que reúne 22 instituições.

Cronista do jornal "O Globo", tem também participação em programas na TV Globo onde cria um novo gênero, algo entre a literatura e o jornalismo. Durante a Copa do Mundo, a TV Globo encomenda-lhe dez textos sobre os jogos, que deveriam ser escritos num espaço de duas horas, ligados à imagem e inteligíveis pelo país inteiro. O mesmo acontece com relação à Fórmula I. Também, nesse mesmo gênero, escreveria um poema por ocasião da morte do Presidente Tancredo Neves. Na sua opinião, a televisão, ao contrário do que muitos dizem, não veio para acabar com a literatura. É um veículo moderno e eficiente de promoção da literatura.

Proferiu conferências em diversos países, entre outros: México, Dinamarca, Chile, Canadá, Argentina, Portugal, Estados Unidos e Espanha.

Foi agraciado com o Prêmio Especial de Marketing — concedido pela Associação Brasileira de Marketing, pelo trabalho realizado frente à Biblioteca Nacional.


 

 

 

Além deste, recebeu, entre outros, os seguintes prêmios:

"Prêmio Mário de Andrade" – Com o livro "Drummond, o gauche no tempo."

"Prêmio Fundação Cultural do Distrito Federal" – Com o livro "Drummond, o gauche no tempo."

"Prêmio União Brasileira de Escritores" – Com o livro "Drummond, o gauche no tempo."

"Prêmio Pen-Clube" – Com o livro "O canibalismo amoroso"

"Prêmio União Brasileira de Escritores" – Com o livro "Mistérios Gozosos"

"Prêmio APCA-Associação Paulista de Críticos de Arte", pelo conjunto de obra.

Atualmente escreve colunas aos sábados para o jornal "O Globo", no caderno "Prosa e Verso", bem como em outros diários do país.

 

http://www.releituras.com/releituras.asp

 

 

 

3 Respostas to “QUE PAIS É ESTE?”

  1. Unknown Says:

    OLÁ GOSTARIA MUITO QUE ACESSACE ESTE ENDEREÇO OK
    joanzinhorosario31@hotmail.com
    ou ir no google e escrever JOÃO DO ROZARIO LIMA E PESQUIZAR

    "Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que leva-se anos para construir confiança e apenas segundos para destrui-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem da vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa – por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, e se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute quando você cai, é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que e se teve e o que você aprendeu com elas, do que com quantos aniversários você celebrou.Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo.Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.E você aprende que realmente pode suportar… que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!"
    Texto original traduzido by: William Sheakspeare

  2. Denise Says:

    °
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    Sem sombra de dúvidas atualissímo Afonso Romano, e inegável sua obra e por sua obra ser tão eficaz no conhecimento não é reconhecido  por muitos q se tornaram conhecidos por serewm personagens de suas poesias e artigos..Mas somos resto de uma geração que ainda vai levar a nação a um acordar. meu seu e de mais amigos levando essa mensagem vai ser o gole de água que descedenta o povo, que vive sim de arte e de palavras.
     
    Avante e saudações poéticas
     
    Denise Figueiredo
     
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  3. Unknown Says:

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