AÇORIANIDADE e VOLTE ATRÁS ASSIM QUE FOR POSSÍVEL

 

 

 

 

 

 Amigos,

 

Acessem o link abaixo  para ler nossos artigos desta
quinzena de março, publicadas no jornal
"Tribuna Portuguesa", da Califórnia.

 
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Açorianidade

 

 

Quando em outubro de 2006 o Jose M. Raposo esteve no Brasil para lançar o seu 4º e 5º livros (“101 Sonetos ao sabor do vento” e “Alma em pedaços”), no Rio de Janeiro, estavam programados, também, dois lançamentos em Santa Catarina: um na Universidade Federal de Florianópolis e o outro na festa da Marejada, na cidade de Itajaí.

Nessa oportunidade tive a felicidade de conhecer algumas cidades daquele Estado e ver bem de perto a influência que a colonização portuguesa (açoriana), ainda hoje, exerce no modo de vida dos seus habitantes, na cultura e na comida, vinculada às tradições da mesa portuguesa e posso dizer, sem nenhuma dúvida, que até a caipirinha (invenção brasileira e carioca) mais gostosa que tomei na vida, foi feita com a cachaça da “Cachaçaria açoriana”, lá em Floripa, como chamam carinhosamente a capital do Estado, Florianópolis.

De tudo que vi, o que mais deixou-me sensibilizada, foi conhecer o NEA – Núcleo de Estudos Açorianos da Universidade Federal de Santa Catarina, que tem como objetivos básicos a pesquisa, resgate, preservação, valorização e divulgação da cultura Açoriana no Estado que, como já escrevi há um tempo para este mesmo jornal, teve sua colonização portuguesa mais acirrada, em meados do século XVII, quando a Coroa Portuguesa promoveu a imigração de casais açorianos para o Sul do Brasil. Cerca de seis mil imigrantes espalharam-se pelo litoral catarinense, estabelecendo-se na ilha de Santa Catarina, no povoado de São Miguel – hoje Biguaçu – e nas proximidades de Laguna.

Esse Núcleo de Estudos Açorianos, fundado em 1986, desenvolve um trabalho comunitário, através de cursos, palestras, mapeamento cultural e reciclagem de professores. Atua em parceria com mais de 40 municípios, várias universidades regionais, fundações culturais e abrange uma área em torno de 15.000 quilômetros quadrados e tem um público alvo de mais de 1.000.000 de pessoas. O NEA possui também, à disposição de toda comunidade, uma biblioteca com mais de 500 títulos inéditos em Santa Catarina e um acervo de trajes típicos, peças de artesanato, gravações musicais e vídeos. Atualmente, está sob a Coordenação Geral de Joi Cletison Alves; Sub- Coordenação de Comunicação de Francisco do Vale Pereira; Sub- Coordenação de Articulação Comunitária e Institucional de Gelci José Coelho; Sub- Coordenação de Projetos de Eugenio Lacerda; Sub- Coordenação de Eventos de Vilson Francisco Farias.

O NEA criou e realiza a festa da cultura açoriana –AÇOR- que apresenta o que existe de significativo e autêntico desta herança cultural. É uma festa anual, realizada em fins do mês de setembro e que acontece em municípios diferentes do litoral catarinense, em parceria com as Prefeituras Municipais, Universidades, etc. e mostra o folclore, as danças, a gastronomia, a religiosidade, o artesanato, etc.

Outra festa importante no Estado, é a Marejada. Em 1986, surgiu a idéia de criar uma festa para reverenciar e revitalizar os costumes e tradições luso-açorianas – base da colonização de Itajaí – e dar mais uma opção aos visitantes da Oktoberfest. Nascia, nesta época, a Marejada, uma festa que se propunha a entreter e oferecer cultura ao povo da cidade e aos seus visitantes.

A culinária luso-açoriana, junto com a música e a dança deste povo, volta às suas origens. O bolinho de bacalhau, a casquinha de siri e a sardinha na brasa são preparados com a simplicidade e o tempero utilizados há quase dois séculos. Hoje, passados 21 anos, esta festa atrai cerca de 200 mil visitantes a cada edição e já conquistou a característica de maior festa portuguesa do Brasil, em variedade gastronômica e artística, realizada todos os anos no mês de outubro.

Depois de um ano e cinco meses, ainda estão bem vivas, na minha memória, as lembranças da Marejada de 2006: a emoção do Jose Raposo quando componentes do Grupo Folclórico Arcos, sob a Presidência de Ana Lúcia Coutinho (que gentilmente coordenou, em SC, o lançamento dos seus livros), entraram recitando suas poesias. Também, não se apaga da lembrança, a sua alegria ao ser recebido como autêntico filho açoriano, pelo Secretário de Cultura de Itajaí, Sr. Acyr Osmar de Oliveira, ao ser cumprimentado pelo Prefeito Sr. Volnei José Morastoni e ao ser entrevistado pela TV local. Não se pode negar que os brasileiros, descendentes dos açorianos, são bastante simpáticos e hospitaleiros!

Ana Lucia Coutinho, que nos foi apresentada pelo amigo Dr. Décio de Oliveira, mostrou-nos a cidade, os pontos turísticos tipicamente açorianos e sua gastronomia. Certa tarde, sentados num desses restaurantes, em Ribeirão do Sul, um lugarejo que lembra os Açores, segundo seus moradores, de frente para o mar, vendo as gaivotas pousarem no parapeito das varandas, enquanto comíamos ostras e camarões, entre conversas amenas com Ana, minha irmã e meu cunhado, escrevemos, eu e José Raposo, uma poesia em parceria e tentamos colocar nosso sentimento por tudo que tínhamos visto, naqueles dias:

 

AÇORIANIDADE

 

Elen de Moraes e José Raposo

 

Foi necessário andar milhas e milhas

Para encontrar tanta açorianidade

E sentir brotar, no peito, a saudade

Das naus cortando o mar com suas quilhas.

 

Em Ribeirão do Sul, as maravilhas

Que meus olhos viram são, na verdade,

A história plantada p’ra a eternidade,

Que açorianos trouxeram das ilhas.

 

Quando aqui aportaram, na bagagem,

Trouxeram seus costumes, seus bordados…

Na alma e no coração toda a coragem,

 

P’ra em terra estranha deixarem plantados

Seu trabalho, seu exemplo e linhagem

E o destemor dos seus antepassados.

  

2 Respostas to “AÇORIANIDADE e VOLTE ATRÁS ASSIM QUE FOR POSSÍVEL”

  1. Morgana Says:

    Elen, migairmã
    Feliz Domingo de Páscoa!
    Para você e sua familia!

    Beijos c carinho
    Carmen

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