RIO 50º – uma cidade na estufa – Elen de Moraes

 
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acessar o arquivo de 15-02-2010

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Rio 50º
Uma cidade na estufa.
 
 
Elen de Moraes
 
 
O verão do Rio de Janeiro está ligado às imagens das suas belíssimas praias, aos corpos bronzeados estirados na areia e ao sol, aos passeios de bicicleta pela orla marítima, aos quiosques coloridos e à famosa água de côco bem geladinha que o carioca adora e o turista elege como bebida preferida da estação.

Neste ano, no entanto, uma nova imagem se insere ao álbum da cidade: as praias que permanecem cheias, com pessoas a praticar esportes, pescar e  mergulhar em águas que se conservam mornas mesmo depois que a noite desce. Um paraíso? Seria, se não fosse o calor medonho que nos adoece e  cozinha o bom humor do carioca, sem matá-lo, porque já tem quem ande fazendo piadas do tipo: “Rio, não, Hell de Janeiro”; “Rio de Janeiro só tem duas estações: verão e inferno”; “Até o fogo do sol vem passar férias no Rio de Janeiro”, e por aí vai.

Não me lembro de dias tão insuportavelmente quentes como os de agora. Quando se falava em “Rio40graus”, era o máximo que podíamos imaginar para um calor intolerável. Entretanto, o ano de 2010 nos chega com temperaturas de até 40.4ºC, mas com a sensação de 50ºC, por causa da umidade do ar, informa o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Conseqüências desagradáveis acompanham o calor exagerado: quedas no abastecimento de energia, causando apagões localizados – embora ninguém admita os motivos pelos quais acontecem – e com eles os prejuízos materiais para os consumidores, tais como aparelhos eletrônicos queimados, comidas estragadas e o pior, a impossibilidade de ligar os aparelhos que ajudam minimizar o efeito das altas temperaturas; restaurantes fechados; metrô com lotação máxima a trafegar na hora do “rush”, tendo o ar condicionado avariado; água das caixas situadas em cima dos telhados tão quente que se torna impossível usar, a não ser tarde da noite ou de madrugada; hospitais cheios com pessoas hipertensas, desidratadas, infartadas, com insolação, infecção intestinal e outros; incêndios pela combustão espontânea, etc.

É o inferno na terra!

Para nos conscientizarmos que a vida no planeta é responsabilidade nossa   e que deter o aumento do aquecimento global é um dos caminhos para que a vida seja preservada, seria bom recordarmos, de um modo bem simples, como se dá o processo.

O gás carbônico não é venenoso como muitos pensam e é útil à vida. Sem ele as plantas não produziriam o oxigênio tão necessário à existência. Elas consomem o gás carbônico do ar. A respiração e a queima colocam-no de volta, mantendo, assim, seu equilíbrio, de modo que a sua quantidade no ar não muda.

O gás carbônico tem, ainda, o importante papel de manter a temperatura da terra. O sol emite luz que é composta de raios de várias cores (O arco-íris é a luz do sol que foi decomposta), mas existem dois que são invisíveis aos olhos humanos: o infravermelho e o ultravioleta. Quando os raios do sol chegam à terra e entram em contato com a matéria, ela esquenta e solta raios infravermelhos. O gás carbônico que está no ar (e funciona como um telhado de vidro), absorve esses raios infravermelhos e se aquece, esquentando a terra, conseqüentemente. O vapor da água, da mesma forma, absorve os raios infravermelhos, se aquece e ajuda manter a temperatura do planeta.
 
Entretanto, é pela mão do homem que acontece o aumento insustentável do “efeito estufa”, por jogar na atmosfera grandes quantidades de dióxido de carbono, tanto através de veículos e fábricas que, para funcionar  queimam gasolina, álcool, diesel, etc., como também pelas queimadas das florestas que não consegue deter e pelo reflorestamento de grandes áreas que não consegue fazer.
 
A primeira parte de um documento divulgado em fevereiro de 2007, pelo IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), que ganhou destaque na mídia, diz que os seres humanos são os responsáveis pelo aquecimento da terra e na sua segunda parte afirma:

“com o aumento do aquecimento global ampliará a ocorrência de estiagens e de enchentes, elevará o nível do mar, levará à extinção milhares de espécies animais e vegetais, e aumentará a subnutrição e as doenças entre os seres humanos. Estima-se que 100 milhões de pessoas que vivem a menos de um metro acima do nível do mar estão correndo o risco de perder suas casas. As populações da Índia e da China podem passar fome por causa do declínio na produção de alimentos como conseqüência do aquecimento global. Os mananciais de água doce, que abastecem milhões de pessoas no mundo estão em risco. Na região Amazônica, por exemplo, as pessoas podem ser afetadas por temperaturas ainda mais altas no verão. No nordeste brasileiro, as temperaturas vão subir ainda mais, passando de uma região semi-árida para árida e comprometendo a recarga dos lençóis freáticos. No sudeste, a precipitação vai aumentar com impacto direto na agricultura e nas inundações e deslizamentos de terra”
Inundações e deslizamentos de terra já estão acontecendo em alguns Estados brasileiros – e pelo mundo – com centenas de mortos! É de se lamentar que os governantes das grandes potências não encontrem logo uma saída, um denominador comum, para que a vida no nosso planeta seja preservada e passe a ter a importância que merece.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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