SIMPLESMENTE MULHER – Elen de Moraes

 

Para ler o artigo no jornal online,

acessar o arquivo de 01-03-2010
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

Simplesmente Mulher
 
Elen de Moraes
 
 
Pelo dia internacional da mulher deduzo que muitas receberam telefonemas, cartões, e-mails, flores e até presentes, com votos de “muitas felicidades” e “parabéns” pela data. Grande parte das feministas torce o nariz e afirma serem machistas tais demonstrações.

Procuro respostas que, satisfatoriamente, me surpreendam e me dêem o significado desse cumprimento e chego à conclusão que elas são desencontradas e que cada pessoa tem a sua própria explicação ou rejeição.

Quanto a mim, acho que a felicidade, em questão, está em ser lembrada, quer seja no dia dos nossos anos, no dia das mães, no dia dos namorados ou no dia da mulher e, aqui, tanto faz se pelas justas reivindicações femininas por melhores salários, pela igualdade de direitos no trabalho, na sociedade, etc., ou ser festejada, simplesmente, só por ser mulher. Penso que bem pior seria se ninguém desse importância ao acontecimento e o dia passasse como outro qualquer.

Há mulheres que não gostam desse dia, abominam a sua criação e acham-no dispensável por acreditarem que acirra a discriminação contra a mulher e não traz maiores benefícios. Outras temem que ele se torne, num futuro bem próximo, uma boa desculpa para o comércio faturar mais alto e há, ainda, as que o rejeitam sob o pretexto de que dia da mulher são os 365 dias do ano.

Todas têm lá as suas razões: tanto devemos festejá-lo, como ter em mente que ele significa que a luta é contínua. E não devemos nos esquecer que há menos de um século não tínhamos o direito ao voto, que durante muitos séculos fomos consideradas úteis só para procriar, que muitas mulheres abdicam da vida, dos estudos, de uma carreira, para trabalhar e sustentar os filhos, quando abandonadas e sem assistência do marido ou do namorado, que ainda hoje há mães que educam a menina para ser submissa e o menino para mandar, que a violência dentro do lar, contra a mulher, é uma realidade da qual nem sempre se consegue fugir e elas são espancadas, assassinadas, sem que haja consideráveis modificações nas leis que punem os agressores e assassinos (no Brasil).

Sabemos que homens e mulheres são diferentes e essa diferença se acentua à medida que os pais se mostrem mais ou menos conservadores. Como somos produtos do meio onde vivemos, é claro que a educação recebida nos mostra a forma de ver o mundo. Por isso, já disse e repito que está em nossas mãos mudar esse conceito machista de ver a mulher como ser frágil e inferior, de pouca inteligência.

 
Não diminui o valor da nossa luta, tampouco a desmerece, nem nos faz omissas em relação à violência contra a mulher, se aceitarmos os parabéns pelo nosso dia, os votos de felicidades ou um belo buquê de rosas vermelhas, embora haja feministas que nos aconselham a não recebê-las, para não desvirtuar o sentido das comemorações.

Sei perfeitamente que os homens não as mandam por causa das nossas vitórias ou derrotas nas lutas pelos nossos direitos, pelas nossas reivindicações ou pela desigualdade que há entre homens e mulheres e, sim, por delicadeza, pela data em si, por nos valorizar e pela mulher que somos. Confesso que as flores me fazem sentir mais feminina, delicada, sonhadora, importante, admirada, amada e nesse gesto leio todas as palavras ditas sem palavras e não me perco em considerações se elas me foram ofertadas desnecessariamente ou carentes de sentido, no dia em que se comemora o dia da mulher.
 
Não empunho armas nessa “guerra dos sexos” e há algum tempo decidi não levar em conta o preconceito e a crítica, feminina ou masculina, de quem vê um ato nobre de deferência e carinho, aqui, no caso, as flores e os “parabéns”, com a força das aparências, com olhos racionais ou com as frias lentes da indiferença. Eu mesma resolvi passar por cima da minha própria resistência para abordar um tema tão delicado e colocar-me feminista sem radicalismos – ao exigir meus direitos de cidadã – sem, no entanto, renunciar à minha condição feminina, de mulher e mãe, pois não posso, não quero e não vou separar uma da outra.

Simplesmente mulher.

Elen de Moraes

Podes não ser a esposa mais perfeita,
A amante felina, bela e charmosa,
Namorada na medida… E gostosa!
Fêmea sensual que ao seu homem deleita…

Podes não ter perfil que se receita
Para ser mãe ou avó amorosa,
A irmã presente, a amiga preciosa,
Podes não ser filha que se sujeita…
 
Que importa?! És valiosa obra de arte!
Jóia invulgar que todos querem ter,
Rara flor que muitos querem colher…
 
Anjo guardião que está em toda a parte,
Luz que a estrada de todos alumia.
Simplesmente Mulher… E poesia!
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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