UM PORTUGUÊS, O “REI” DO CARNAVAL DO RIO – Elen de Moraes

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acessar o arquivo de 01-03-2010
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

Um português,
           o “Rei do carnaval” no Rio.
 
Elen de Moraes

 

Falar sobre o carnaval do Brasil seria repetir o que a maioria já sabe, uma vez que, para quase todo mundo, nosso país está ligado a essa festa – assim como o futebol – e muito se tem dito a respeito. Entretanto, quando num piscar de olhos um português torna-se a personalidade número um do carnaval do Rio de Janeiro, aí sim, tem-se que “dar a Cesar o que é de Cesar”!

A “Escola de Samba Unidos da Tijuca”, presidida pelo português Fernando Horta e tendo, atualmente, Paulo de Barros como carnavalesco, fez por merecer o título de campeã de 2010. Foi uma belíssima e surpreendente apresentação, como poucas vezes se viu. Não são palavras minhas – sou leiga e julgo o que vi só esteticamente – são afirmações de comentaristas especializados, que dizem ter sido esse desfile um novo marco na história dos carnavais. Falam mais: que de agora em diante, muita coisa deve mudar, assim como no final dos anos 70, quando o carnavalesco Joãozinho Trinta, com sua inventividade, revolucionou os desfiles das Escolas de Samba.

 Do princípio ao fim, tudo foi perfeito! A “comissão de frente” deu um verdadeiro “show de mágica” ao mostrar seus participantes com diferentes fantasias, trocadas diversas vezes, ali, em pleno sambódromo, deixando curiosos e atônitos os milhares de olhos voltados para aquele espetáculo diferente e deslumbrante, com cenas jamais vistas – e com tal precisão – num desfile de carnaval, que levantou o público da Marquês de Sapucaí, com o grito de “é campeã”!

Vibrante, com uma bateria afinadíssima, uma Rainha nota 10, alegorias impactantes e alas com coreografias muito bem desenvolvidas, a “Unidos da Tijuca”, fundada em 1931, terceira Escola mais antiga do Brasil, depois de um jejum de 74 anos, torna-se a campeã do carnaval carioca pela segunda vez e de quebra leva o Estandarte de Ouro como a melhor de 2010. Sagrou-se campeã, pela primeira vez, em 1934.
Mas, como se explica a presença de um emigrante português à frente de uma Escola de Samba? Segundo o próprio José Fernando Horta de Souza Vieira, foi uma relação de amor e reconhecimento à comunidade tijucana que o recebeu de braços abertos quando, há muitos anos, jovem ainda, abriu o seu próprio negócio no ramo de cristais e inaugurou sua primeira loja no bairro da Tijuca. Formava-se, assim, sua estreita ligação com os tijucanos.

Nascido na localidade de Lixa, região do Alto D’Ouro, Portugal, Fernando Horta veio para o Brasil aos 12 anos, na companhia dos pais. Cresceu nas imediações da Lapa, bairro boêmio do Rio de Janeiro e conta que desde cedo freqüentou as quadras das Escolas de Samba. Muito festeiro, explica, integrou-se rapidamente aos costumes brasileiros e, entre um chope e um “sambinha”, foi aprendendo o jeito carioca de viver.

Seu primeiro contato com a “Unidos da Tijuca” aconteceu há 27 anos quando recusou convite do então presidente – seu funcionário – para assumir a presidência da Escola, mas passou a ajudá-la financeiramente. Anos mais tarde, quando foi rebaixada para o segundo grupo e a comunidade lhe apresentou um abaixo-assinado com mais de 17 mil assinaturas pedindo-lhe que assumisse a presidência, decidiu aceitar o posto que lhe ofereciam e seu trabalho e da sua equipe garantiu à Escola o retorno ao grupo da elite do carnaval carioca. Desde então tem se dedicado a agremiação e não mede esforços para que o seu carnaval seja, a cada ano, melhor e mais competitivo. Pelo menos seis carnavais, sob sua orientação, tiveram inspiração lusa e fez Portugal brilhar no sambódromo.

A “Unidos da Tijuca” orgulha-se de ter em sua Escola pessoas de todos os níveis sociais e se denomina a única representante da colônia portuguesa no carnaval carioca. Deduz-se, conforme estatísticas, que pelo menos metade dos componentes e torcedores da Escola é composta de portugueses e seus descendentes, inclusive sua diretoria. Como a Escola não tem e não conta com a ajuda financeira da figura de um  “Patrono”, os comerciantes do bairro – na sua grande maioria lusitanos –  são os colaboradores financeiros da Escola, que se alegra, ainda, em fazer a integração entre brasileiros e portugueses, que se misturam entre seus quase 4000 participantes, sem distinção de cor, idade, cultura ou religião.

Ao festejar o título conquistado pela Escola, como campeã do carnaval carioca de 2010, Fernando Horta foi aclamado por mais de quatro mil pessoas que estavam na quadra e emocionado, ao erguer a taça, disse que “ É difícil explicar essa emoção. Estava frustrado comigo mesmo. Estava devendo isso pra minha comunidade. Estou de alma lavada”.

Pesquisa:
http://unidosdatijuca.com.br

 

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