SEM FÔLEGO E SEM PACIENCIA – Elen de Moraes (Tribuna Portuguesa – CA)

 

 

 

Sem fôlego e sem paciência…

Elen de Moraes

 

Já deveríamos estar acostumados com crises financeiras ou, pelo menos, com a palavra, mas a verdade é que toda vez que a ouvimos, uma luz se acende em nosso cérebro, com sirenes tocando. São sinais que indicam que é chegada a hora de nos “abrigarmos” porque um “novo ataque” está próximo. Vivemos o estresse de uma contínua economia de guerra e o fôlego já nos falta. A paciência também!

Com os últimos acontecimentos na Grécia por causa da crise e o temor que ela atinja mais países da Europa, o pânico no Brasil tomou conta dos investidores e dos ricos, o dólar valorizou-se em mais de 6% e houve fuga da moeda para o exterior. Quem gostou  foram os exportadores brasileiros que convivem há tempos com o dólar estável e vêem, agora, a possibilidade de melhores ganhos.

Os bens importados estão caríssimos e a classe média alta reclama dos preços abusivos cobrados por um Ipod, um perfume Francês, uma roupa de griffe, etc. e viaja para fazer compras no exterior, já que gastos com passagem e hospedagem são compensados  pela  grande diferença de preços.

Segundo a revista “Época”, dados da Secretaria de Turismo dos USA  mostram que em 2009 os turistas que mais gastaram no país foram os brasileiros.  Ficaram à frente dos australianos e dos japoneses que são conhecidos como os maiores gastadores do mundo. Hoje em dia o brasileiro vai a New York fazer compras, como nos anos 80 ia ao Paraguai.

Enquanto os ricos compram no exterior, os pobres “se ajeitam” com  produtos piratas como CDs, DVDs, programas para computador, etc. A pirataria mesmo sendo crime e embora combatida, facilmente podemos encontrá-la no centro da cidade, vendida por ambulantes que expõem suas mercadorias sem grandes problemas.

Várias são as explicações para os preços dos produtos importados serem duas ou três vezes mais caros. Uma delas é a valorização do real face ao dólar. Porém, a melhor explicação são os impostos. Em nome da proteção ao fabricante nacional, o governo restringe a  concorrência.  

Em alguns países desenvolvidos os impostos são mais altos, mas o povo tem do governo serviços de qualidade que aqui não temos. Países com carga tributária menor, como Japão e USA, conseguem prestar à população serviços melhores que os nossos mesmo cobrando menos.

Os impostos elevados são cruéis porque seus efeitos são piores sobre a classe pobre. Segundo pesquisas, a população que ganha até dois salários mínimos por mês, em torno de 600 dólares, tem que trabalhar em media 180 dias por ano só para pagar impostos. Os ricos, que ganham acima de 30 salários, 100 dias.

O Governo é um Robin Hood às avessas, que tira dos pobres para dar para os ricos.

O Presidente Lula já declarou que é bobagem pensar que o Brasil pode conviver com impostos baixos, mas não foi o que aconteceu durante alguns meses de 2009 quando, para fazer face à crise, incrementar o consumo e gerar mais empregos, alguns impostos  foram reduzidos, inclusive o dos automóveis e as vendas bateram todos os recordes e foram vendidos mais carros no Brasil do que nos USA.

O problema está nos gastos com a máquina administrativa do governo. Embora sua arrecadação venha aumentando, ele não consegue aumentar sua poupança para bancar seus investimentos.

O governo não corta aonde tem e pode (sem falar na corrupção), mas tira de onde não deveria, por exemplo, dos aposentados das empresas privadas que contribuíram durante toda vida para uma velhice tranqüila e se vêem, no final das contas, tendo que voltar a trabalhar ou viver à custa da família.

O ônus para a classe média é maior porque além dos altos impostos, ela se vê obrigada a pagar escolas particulares, planos de saúde caríssimos e muitas vezes até segurança pessoal, uma vez que o Estado não a supre com bons serviços.

O pobre? Esse, coitado, vive de teimoso que é, como diz a letra de um famoso samba. Quem vai se importar que tenha só uma cesta básica por mês para alimentar uma família de três ou quatro pessoas? Chega a ser indecente a desigualdade, embora ainda receba outros pequenos benefícios do governo.

Mesmo diante da crise e dos impostos caros, empresários e aposentados estrangeiros estão fixando residência no Brasil e a explicação é simples: ganham em dólar e gastam em real. Os alimentos são baratos, pois plantamos o que consumimos, além dos imóveis, que têm preços bem convidativos para investimentos.

Pesquisa:
revista Época

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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